Crise na Ubisoft: DEI ou a “Síndrome do Grande Negócio”?

Por Oliver A. - Publicado em 27/01/2026

Crise na Ubisoft: O Problema Real é DEI ou a “Síndrome do Grande Negócio”?

A gigante francesa dos games, Ubisoft, tem enfrentado anos de críticas, atrasos e resultados financeiros inconsistentes. Naturalmente, em um ambiente polarizado como a internet, a busca por um culpado para os percalços de títulos AAA, como os recentes Skull and Bones ou Prince of Persia: The Lost Crown, frequentemente recai sobre questões de cultura corporativa e diversidade. No entanto, um ex-desenvolvedor da Ubisoft Osaka decidiu quebrar o silêncio, confrontando diretamente as chamadas “teorias da conspiração online” que culpam as iniciativas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) pelo baixo desempenho da empresa.

Para ele, o inimigo não é ideológico, mas estrutural: a criatividade e a inovação na Ubisoft estão sendo sufocadas por algo muito mais comum em grandes corporações globais – o que ele chama de “Big Business Syndrome”, ou a Síndrome do Grande Negócio. Este artigo mergulha no debate, analisando se a burocracia excessiva e a aversão ao risco são, de fato, os verdadeiros responsáveis pela estagnação criativa na indústria de games AAA.

O Que Aconteceu: A Defesa do Ex-Desenvolvedor

A declaração veio à tona em um momento de intensa especulação sobre o futuro da Ubisoft. O ex-membro da equipe de Osaka, cuja identidade foi preservada, abordou a narrativa popular que circula em fóruns e redes sociais, a qual sugere que o foco excessivo em metas de DEI estaria desviando recursos e prioridades, resultando em jogos de qualidade inferior ou narrativas politizadas que alienam a base de fãs.

O desenvolvedor, porém, oferece uma perspectiva interna radicalmente diferente. Ele argumenta que culpar o DEI é um desvio de atenção. Em vez disso, a raiz dos problemas da Ubisoft reside em características inerentes a qualquer corporação que cresceu de forma massiva e se tornou avessa ao risco. Ele descreve um ambiente onde o processo decisório se torna lento e burocrático, matando a faísca criativa original.

“Não é o DEI que está matando nossos jogos; é a necessidade de agradar acionistas, o excesso de camadas de gestão e a completa aversão a qualquer ideia que não seja uma sequência garantida ou um mundo aberto genérico. Isso é a Síndrome do Grande Negócio.”

Essa crítica ressoa profundamente com o que muitos veteranos da indústria descrevem como o “AAA grind” – o moedor de carne criativo que transforma ideias promissoras em projetos inchados e demorados, muitas vezes resultando em cancelamentos dolorosos ou lançamentos abaixo das expectativas.

Por Que Isso Importa: Contexto da Crise na Ubisoft

A relevância dessa declaração transcende os muros da Ubisoft. Ela toca no cerne do desafio enfrentado por todas as grandes publishers de games hoje: como manter a inovação e a agilidade de um estúdio independente, enquanto se lida com orçamentos de centenas de milhões de dólares e a pressão de Wall Street. A Ubisoft, em particular, tem sido um estudo de caso complexo nos últimos anos.

Desafios Recentes da Ubisoft

  • Atrasos Crônicos: Títulos chave, como Skull and Bones, sofreram múltiplos adiamentos, consumindo orçamentos e desgastando a confiança dos fãs.
  • Desempenho Comercial: Embora franquias como Assassin’s Creed continuem fortes, o desempenho de outros lançamentos tem sido misto, indicando uma dificuldade em encontrar novos hits.
  • Controvérsias Internas: A empresa passou por ondas de denúncias sobre ambiente de trabalho tóxico e má conduta de executivos, levando a uma reestruturação cultural que incluiu, ironicamente, um maior foco em DEI.

Quando um jogo falha, é muito mais fácil apontar o dedo para uma mudança cultural visível (DEI) do que para um problema invisível e estrutural (burocracia corporativa). O desenvolvedor está forçando uma conversa mais honesta sobre onde reside o verdadeiro gargalo da criatividade na produção de jogos de alto calibre.

Se a performance está ligada à criatividade, e a criatividade está sufocada por processos internos, então o foco da gestão precisa mudar drasticamente. A questão não é se a inclusão é válida, mas se a maneira como os projetos são gerenciados permite que talentos diversos – ou qualquer talento – floresçam.

Análise Aprofundada: Entendendo a Síndrome do Grande Negócio

O termo “Síndrome do Grande Negócio” encapsula os efeitos colaterais do sucesso desenfreado. Quando uma empresa passa de um estúdio ágil para uma multinacional com dezenas de escritórios espalhados pelo mundo, a complexidade aumenta exponencialmente. A seguir, exploramos como essa síndrome se manifesta na prática dentro do ciclo de desenvolvimento de games.

H3: A Burocracia Mata o Risco

O maior inimigo da inovação em grandes empresas é a aversão ao risco. Projetos que custam centenas de milhões de dólares não podem falhar. Isso leva a uma mentalidade de “safe bet” (aposta segura): invista no que já funcionou. É por isso que vemos uma saturação de jogos de mundo aberto genéricos e sequências anuais que oferecem poucas novidades.

Para mitigar o risco, mais pessoas precisam dar o seu aval. Um ex-desenvolvedor de uma grande publisher certa vez comentou que, em seu estúdio, “uma simples decisão de design passava por nove níveis de aprovação”. Esse excesso de gestão e a proliferação de chefes de projeto (os famosos “too many cooks”) diluem a visão artística original. O resultado final é frequentemente um produto que tentou agradar a todos os stakeholders, mas que falhou em inspirar o jogador.

H3: O Debate sobre DEI como Bode Expiatório

É inegável que o tópico de DEI se tornou um ponto focal na guerra cultural online. Quando grandes franquias fazem mudanças percebidas como “políticas”, uma facção da audiência rapidamente atribui a elas a culpa por qualquer falha subsequente. No entanto, o ex-desenvolvedor da Ubisoft aponta que essa teoria ignora o histórico da indústria de games.

Jogos com orçamentos massivos falharam espetacularmente muito antes de o DEI se tornar um foco corporativo. Falhas como Anthem (EA/BioWare) ou o lançamento inicial de Cyberpunk 2077 (CD Projekt Red) demonstram que os problemas de desenvolvimento residem em gerenciamento de escopo, otimização de pipeline e expectativas irrealistas, não em agendas ideológicas.

A tentativa de culpar o DEI, segundo a análise interna, é uma maneira conveniente de evitar a difícil autoavaliação sobre a ineficiência corporativa e a dependência de ciclos de desenvolvimento insustentáveis.

Tabela de Comparação: Causas da Estagnação Criativa

Fator Síndrome do Grande Negócio Teoria do Foco Excessivo em DEI
Raiz do Problema Estrutura interna, burocracia, e acionistas. Prioridades culturais e sociais.
Impacto na Criatividade Sufocamento da inovação e repetição de fórmulas. Alteração da visão original do produto.
Evidências Internas Ciclos de aprovação lentos, gerenciamento de escopo excessivo, burnout. Percepções de mudanças em narrativas e design de personagens.
Visão do Ex-Dev Causa principal da baixa performance. Bode expiatório/Teoria da conspiração.

O Que Esperar: O Futuro da Ubisoft e a Indústria AAA

A resposta da Ubisoft a essa crise de criatividade e eficiência ditará o seu futuro e servirá como um mapa para outras grandes publishers. Se a análise do ex-desenvolvedor estiver correta, a solução não passa por reduzir a diversidade de pensamento, mas por descentralizar o poder de decisão e investir em equipes menores e mais autônomas.

Estratégias para Combater a Síndrome

Grandes corporações podem aprender com o modelo de estúdios menores, que prosperam com foco e agilidade. Para a Ubisoft se recuperar plenamente, são necessários passos ousados:

  1. Redefinição de Escopo: Abandonar a necessidade de todos os jogos serem “mundos abertos de 100 horas”. Focar em experiências lineares ou jogos menores, mas altamente polidos.
  2. Empoderamento de Diretores Criativos: Reduzir as camadas de gestão que se interpõem entre o criador e o CEO. Dar aos diretores criativos finais a autoridade para proteger sua visão.
  3. Foco em IPs Originais: Utilizar orçamentos menores para testar novas Propriedades Intelectuais (IPs), aceitando o risco de falha em pequena escala para descobrir o próximo grande sucesso.

A pressão dos acionistas, especialmente em empresas de capital aberto, é um obstáculo constante. Contudo, o mercado já demonstrou que a inovação recompensada – vide casos de sucesso de IPs originais fora do ciclo anual – supera o retorno marginal de sequências seguras.

Conclusão: A Batalha pela Criatividade

O testemunho do ex-desenvolvedor da Ubisoft Osaka coloca um holofote necessário sobre os problemas sistêmicos que afligem a produção de jogos AAA. Longe de ser uma questão de foco em DEI, o cerne da estagnação criativa na Ubisoft e em outras grandes publishers é a inércia, a burocracia e a aversão ao risco inerentes à Síndrome do Grande Negócio.

A verdadeira batalha na indústria de games não é ideológica; é a luta entre a arte e o lucro, entre a visão audaciosa de um pequeno time e a necessidade de aprovação de dezenas de executivos. Para que a Ubisoft recupere seu brilho, ela precisará não apenas abraçar a diversidade em seu sentido mais amplo, mas, crucialmente, derrubar as barreiras internas que impedem ideias frescas e originais de verem a luz do dia. A saúde criativa de uma das maiores desenvolvedoras do mundo depende disso.

Perguntas Frequentes

O que o desenvolvedor da Ubisoft quis dizer com “Síndrome do Grande Negócio”?

O termo refere-se à tendência de grandes corporações de priorizar a estabilidade, a burocracia e a aversão ao risco em detrimento da criatividade e inovação. Isso resulta em processos lentos, excesso de gestão e a preferência por sequências seguras em vez de novas IPs arriscadas.

Iniciativas de DEI realmente prejudicam a qualidade dos jogos, como alegado online?

O ex-desenvolvedor da Ubisoft refuta essa teoria, classificando-a como uma “teoria da conspiração online”. Ele sugere que, embora a cultura corporativa seja um fator, culpar o foco em Diversidade, Equidade e Inclusão ignora problemas estruturais mais profundos, como a gestão de escopo e a burocracia excessiva.

Quais são os sinais da Síndrome do Grande Negócio na indústria de games?

Os principais sinais incluem atrasos constantes de grandes títulos (como Skull and Bones), a repetição exaustiva de fórmulas de jogos de mundo aberto, o foco em microtransações e passes de batalha para maximizar receita de títulos existentes, e altos níveis de burnout entre desenvolvedores.

Essa crise afeta apenas a Ubisoft, ou é um problema da indústria AAA?

Embora a Ubisoft seja o foco da notícia, analistas de mercado e desenvolvedores sugerem que a Síndrome do Grande Negócio é um problema endêmico da indústria AAA, afetando qualquer publisher que opere com orçamentos gigantescos e sob intensa pressão de acionistas públicos.

Como a Ubisoft pode reverter a estagnação criativa?

Reverter a estagnação envolve descentralizar o processo de decisão, reduzir o escopo inflado dos projetos, dar mais autonomia aos diretores criativos e aceitar o risco calculado inerente ao desenvolvimento de novas e genuínas Propriedades Intelectuais (IPs).

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Oliver A.

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